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Queimadas e Ar Poluído, EL NIÑO chegou!

Por Renato Pitanga

Queimadas e Estiagem severa trava navegação é isolam comunidades

Hoje, a nossa conversa não pode começar de outra forma. Precisamos falar sobre o que está diante dos nossos olhos, mas que muitos insistem em não enxergar por completo. A estiagem severa não é mais uma previsão para o futuro. Ela já é o nosso presente. E o cenário anunciado desenha dias difíceis para o nosso Amazonas.

Quando o rio baixa, a nossa vida encolhe junto. Não se trata apenas de uma régua que mede o nível da água no porto. Trata-se do isolamento de milhares de famílias. Trata-se da nossa economia, que sangra a cada centímetro que o rio perde. O custo do frete dispara, o insumo para a Zona Franca de Manaus demora a chegar, e o reflexo disso bate direto no bolso do consumidor, na prateleira do supermercado, na mesa do trabalhador. A logística amazônica, que depende das nossas hidrovias, entra em colapso.

E junto com a seca, vem o perigo silencioso e devastador: o fogo. O ar que respiramos começa a ficar pesado. Os incêndios florestais e as queimadas urbanas destroem o que resta da nossa vegetação e castigam a saúde das nossas crianças e dos nossos idosos. Os hospitais já sentem o reflexo das doenças respiratórias. É uma crise humanitária, econômica e ambiental que se repete, cada vez mais forte, cada vez mais cruel.

Diante disso, a pergunta que o SEMPRE HOJE faz nesse dia 12 de agosto de 2026, é uma só: o que já deveria estar sendo feito?

Não podemos mais tratar a estiagem e o fogo como surpresas de última hora. O calendário não mente. A ciência não falha nos alertas. O planejamento logístico, a dragagem dos rios principais, o armazenamento de insumos… tudo isso já deveria ser rotina de Estado.

E quando falamos de fogo, a prevenção precisa ser prática e imediata. Onde estão os investimentos massivos para a formação de novos brigadistas nas pontas mais isoladas do nosso estado? Já passou da hora de treinar os próprios comunitários, capacitando quem vive na floresta e na beira do rio com técnicas básicas de primeiro combate aos sinistros. É o ribeirinho, o agricultor, que vê a faísca começar. Se ele souber como agir com segurança nas primeiras horas, o desastre pode ser evitado.

Além disso, o poder público precisa dialogar de verdade com a população. Falta uma comunicação de massa eficiente. Precisamos de campanhas publicitárias muito mais agressivas, diretas e realistas nas televisões, rádios e redes sociais. É necessário conscientizar sobre o perigo das pequenas queimadas provocadas — aquele lixo queimado no quintal, aquela limpeza de terreno no interior que perde o controle em minutos. O cidadão precisa entender o impacto do seu fósforo. A ignorância e a omissão também alimentam o fogo. Prevenção se faz no inverno, para colher proteção no verão.

Nós precisamos de respostas definitivas, e não de paliativos que secam junto com o rio.  A cobrança necessária, é a voz da nossa gente. Porque o futuro do Amazonas se discute e se defende… sempre hoje.

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